A presente obra se lança a um dos debates mais perenes e profundos da teologia cristã: a harmonização entre a ordem batismal crística e a práxis litúrgica da Igreja Primitiva.
Afastando-se de polarizações puramente dogmáticas, este tratado propõe uma investigação estritamente técnico-exegética, jurídica e histórica sobre a fórmula e o significado do batismo cristão, estruturada em um encadeamento lógico de sete capítulos capitais.
O percurso investigativo inicia-se no Capítulo 1 com o escrutínio do aparato textual de Mateus 28:19. Longe de isolar o texto, a análise estuda suas variantes textuais e o peso crítico de sua transmissão manuscrita, estabelecendo a base para o desafio gramatical subsequente.
No Capítulo 2, o foco desloca-se para a sintaxe grega, destrinchando o uso da palavra "Nome" (ónoma) no singular, confrontando-o com os múltiplos títulos que o sucedem. É sob esta ótica gramatical que o autor resolve o aparente paradoxo de Efésios 4:5, unificando a ontologia e a práxis do "único batismo".
A validação dessa tese teológica encontra respaldo histórico-prático nos capítulos seguintes. O
Capítulo 3 eleva a prática apostólica registrada no livro de Atos ao status de exegese infalível, argumentando que a aplicação prática dos apóstolos é o comentário definitivo do mandamento de Cristo.
O Capítulo 4 contextualiza a transição histórica e a virada teológica de Niceia, demonstrando como as formulações dogmáticas posteriores alteraram o eixo litúrgico da Igreja paleocristã.
Nos capítulos subsequentes, a obra ganha musculatura teológica e jurídica.
O Capítulo 5 recorre à Teologia da Aliança para traçar um paralelo tipológico entre a circuncisão abraâmica e o batismo, definindo-o como a "circuncisão de Cristo".
O Capítulo 6 introduz um dos aspectos mais inovadores do livro: uma análise jurídica da Epiklesis, a invocação legal do Nome sobre o candidato, demonstrando as implicações de transferência de propriedade e direito espiritual que o ato confere. Por fim, o
Capítulo 7 opera a síntese teológica definitiva, demonstrando que Atos não contradiz Mateus, mas o cumpre, ao revelar que a plenitude da Divindade e o Nome que congrega essa totalidade manifestam-se formalmente em Jesus.
Este livro é, portanto, uma leitura indispensável para teólogos, pastores, seminaristas e estudantes de exegese bíblica. Ele desafia o leitor a olhar além das tradições sedimentadas, oferecendo uma chave hermenêutica robusta que reconcilia a ordem do Mestre com a obediência de Seus primeiros emissários. Trata-se de um convite ao rigor acadêmico e à restauração da teologia bíblica em sua máxima pureza e coerência interna.